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Gesto de Esperança
TRF1 realiza campanha para arrecadação de donativos a mulheres vítimas de violência doméstica
Arte: Ascom/TRF1

Fernanda Medeiros e Larissa Santos com informações do CNJ | Ed. 99 Mai 2019
No período de um ano, de 2018 a 2019, 4,7 milhões de mulheres foram vítimas de agressão física no Brasil. Esse quantitativo corresponde a 536 mulheres agredidas por hora.
Os dados são do levantamento realizado, em fevereiro de 2019, pelo Instituto Datafolha e encomendado pela ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O estudo aponta, também, que 42% das agressões foram sofridas em casa e que 76,4% das mulheres conheciam o agressor.
A pesquisa revela, ainda, que a faixa etária mais afetada pela violência é dos 16 aos 24 anos, já que 42,6% das mulheres com essas idades disseram ter sofrido algum tipo de violência nos últimos 12 meses. Em segundo lugar, está a faixa dos 25 aos 34 anos, com 33,5%, seguida pelo intervalo etário de 35 a 44 (27,1%), de 45 a 59 (17,8%) e 60 anos ou mais (13,6%).
Fonte: SBSP

Dos quase 5 milhões de mulheres vítimas de violência no Brasil em um ano, 52% não se manifestaram após a agressão sofrida. Dentre as que tomaram alguma atitude, 15% buscaram ajuda da família, 10,3% procuraram uma Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), 8% foram a uma delegacia comum e 5,5% ligaram para o número 190.
Para aquelas que buscam ajuda, o Estado oferece as Casas Abrigo: locais para onde mulheres vítimas ou ameaçadas de violência doméstica são encaminhadas para que possam residir, durante período determinado, enquanto reúnem condições para retomar o curso de suas vidas.
As Casas, previstas na Lei Maria da Penha (Lei 11.340), oferecem serviço de acolhimento tanto às mulheres quanto aos seus dependentes em situação de risco e, por isso, essas localidades são sigilosas.
Cada abrigo ampara de cinco a dez mulheres e seus filhos. O lugar é considerado uma medida radical de proteção da vida. O acesso ao acolhimento se dá por meio da indicação de servidores que trabalham com escuta de mulheres em delegacias, defensorias, Ministério Público, unidades da Justiça, Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) ou Centros de Referência de Assistência em Saúde (Cras).
A análise é feita por psicólogos, que detectam o grau de vulnerabilidade da vítima com relação ao seu agressor e encaminham a mulher para o abrigo mais próximo. Normalmente, o período de acolhimento dura 90 dias, mas pode ser ampliado a depender da necessidade e do caso de cada uma.
Lá, as mulheres e suas famílias recebem atendimento psicológico, social, jurídico, encaminhamento para atividades profissionalizantes e programas de geração de renda, além de acompanhamento pedagógico de crianças, pois estas deixam de frequentar as escolas tradicionais pelas questões de segurança.
Solidariedade
Durante o mês da mulher, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região promoveu a campanha “Doe Esperança” para arrecadar doações a mulheres vítimas de violência.
A iniciativa surgiu a partir da palestra “Ciclo da Violência: da agressão verbal ao feminicídio”, ministrada pela ex-secretária nacional de Políticas para Mulheres Andreza Winchler Colatto e realizada pelo TRF1 no dia 8 março, como parte das comemorações ao Dia Internacional da Mulher.
Rafael Leal

Durante o evento, a importância do auxílio a mulheres vítimas de agressões e a necessidade de doações para locais que prestam atendimentos a elas foram evidenciados, resultando na campanha. “Algumas mulheres chegam aos centros de atendimento apenas com a roupa do corpo; por isso, é importante se sensibilizar e ajudar com o que se tem”, afirma Andreza Winchler.
Roupas, materiais de higiene, calçados e utilidades domésticas em geral foram arrecadados e entregues, no dia 28 de maio, à coordenadora do Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam) do Governo do Distrito Federal, Patrícia Barros.
A responsável pela ação, desembargadora federal Gilda Sigmaringa Seixas, Andreza Winchler e servidores do TRF1 foram ao Ceam levar as doações e conhecer o trabalho da instituição.
Segundo a magistrada, a oportunidade de proporcionar uma campanha que contou com participação expressiva de servidores, sensibilizados e mobilizados com a causa em prol da mulher, resultando em inúmeras doações, gera engrandecimento espiritual.
Silvânia Rodrigues
A coordenadora do Ceam agradeceu ao Tribunal pelas doações que vão atender a muitas mulheres em situação de vulnerabilidade no Distrito Federal. “Agradeço à desembargadora Gilda e à Andreza por terem mobilizado os servidores e por termos recebido tantas doações para mulheres que necessitam de apoio”, afirmou Patrícia, ressaltando a gratidão pela presença dos representantes do Tribunal que entregaram os donativos.
Na ocasião, Gilda Sigmaringa ressaltou a importância do papel da ex-secretária nacional de Políticas para Mulheres: “a Andreza é a grande autora intelectual disto tudo, porque ela fez uma palestra com o tema ‘Feminicídio’ e, logo após, tivemos a ideia de fazer a campanha”.
Enfatizando a surpresa pelo resultado da ação, Andreza afirmou: “Foi um comentário que eu fiz entre as mulheres, e que eu nem imaginava que a desembargadora Gilda teria esta iniciativa. Não foi nada combinado, e estou emocionada com o resultado. Nós, mulheres, unidas somos tudo”.
O material doado passará por uma triagem no Ceam e, logo após, será distribuído às Casas Abrigo de acordo com a necessidade.











