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Execução Célere

TRF 1ª Região desenvolve projeto inovador que vai reduzir prazo para pagamento de precatórios e RPVs

Ana Paula Souza e Larissa Santos | Ed. 108 abr 2020
com informações da Coger e da SJDF

Uma das maiores prioridades do Poder Judiciário brasileiro nos últimos anos tem sido a busca pela celeridade. Em virtude da grande demanda de processos, os tribunais do País têm apostado cada vez mais em iniciativas que tornem a prestação jurisdicional mais rápida e efetiva.

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Com esse objetivo, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região desenvolveu o “Projeto Execução Célere” em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para, como o próprio nome indica, dar agilidade à fase de cumprimento de sentença, denominada execução.

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A ideia foi estabelecer um acordo de cooperação entre as duas instituições no sentido de desenvolver um software capaz de otimizar a tramitação das demandas coletivas em ações para pagamento de Precatórios e de Requisições de Pequeno Valor (RPVs).

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O projeto, coordenado pela Corregedoria Regional da 1ª Região (Coger), partiu de uma necessidade identificada na Seção Judiciária do Distrito Federal (SJDF) e levada à Coger pelo diretor do foro, juiz federal Itagiba Catta Preta, e pela juíza federal substituta Diana Wanderlei, em auxílio à 5ª Vara Federal da SJDF.

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Devido à sobrecarga das Varas da Seccional, principalmente das que cuidam da execução de ações coletivas que já transitaram em julgado, a juíza federal sugeriu a criação de um sistema que possibilitasse a liberação de Precatórios e RPVs de forma eletrônica.

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A desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso e o desembargador federal Carlos Moreira Alves, nas condições de corregedora regional e de presidente do Tribunal (cargos ocupados por eles até o dia 17 de abril de 2020), levaram a proposta à OAB, e, depois de tratativas, o acordo foi assinado no dia 13 de dezembro de 2019.

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Assinatura de cooperação entre TRF1 e OAB para projeto Execução Célere. Da esquerda para a direita: juíza federal Diana Vanderlei; desembargadora federal Mônica Sifuentes; juiz federal Itagiba Catta Preta; desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso; secretário-geral do Conselho Federal da OAB, José Alberto Simonetti, e procurador da Fazenda Nacional Manoel Tavares. (Crédito: João Mário Sales/Ascom-TRF1)

Projeto-piloto

Na mesma data de celebração do acordo, foi inaugurado o espaço para criação do sistema nas dependências do TRF1. A estrutura conta com dez computadores munidos com ferramentas necessárias para elaboração do sistema, além de uma equipe de profissionais de Tecnologia da Informação, custeada pela OAB.

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Paralelamente à produção da ferramenta, a SJDF se mobilizava para preparar os autos que o projeto-piloto englobaria. Em novembro de 2019, a 5ª Vara da Seccional, sob comando da juíza federal substituta Diana Wanderlei, já realizava trabalho de conciliação para o cumprimento de sentenças de ações coletivas que envolvem a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) e a Advocacia-Geral da União (AGU).

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O acordo celebrado com a PFN beneficia mais de 12 mil substituídos e envolve mais de R$ 150 milhões. Já o acordo com a AGU favorece mais de 250 substituídos e envolve mais de R$ 600 mil. Em ambos os casos, a União foi condenada e com sentença transitada em julgado.

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Juíza federal Diana Wanderlei é intermediária na conciliação em ações coletivas que envolvem a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) e a Advocacia-Geral da União (AGU). (Crédito: Secom/SJDF)

Depois de aproximadamente quatro meses de trabalho de toda a equipe, a plataforma foi desenvolvida e, em abril de 2020, o projeto-piloto foi posto em prática na 5ª Vara da SJDF, abrangendo autos que trataram das conciliações com a PFN e a AGU e outros três processos que também estão na fase de execução.

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Ao todo, serão cerca de 20 mil beneficiados pelo projeto-piloto da Execução Célere. Cidadãos que tiveram o direito garantido pela Justiça e aguardam o cumprimento da sentença.

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Benefícios

Atualmente, na Seção Judiciária do Distrito Federal, quase 80% dos processos estão em fase de execução, isso porque o sistema utilizado hoje para essa função é manual e dificulta agilidade e efetividade no procedimento.

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“O processo atual de pagamentos de Precatórios e RPVs depende de um sistema arcaico e artesanal. (...) Nós fizemos um cálculo de quantas execuções uma vara conseguiria realizar se a fechássemos só para aquilo; em um mês, seriam expedidos no máximo mil Precatórios ou RPVs”, explica a desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso.

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Segundo a magistrada, nesse ritmo, ações coletivas com milhares de exequentes, como é o caso de algumas incluídas no projeto, levariam de cinco a dez anos para serem, de fato, executadas.

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E é exatamente esse um dos benefícios da Execução Célere: a redução no tempo de cumprimento da sentença, principalmente no que diz respeito a ações coletivas com muitos beneficiários.

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Automatizando o processo por meio de um software, autos que levariam anos para serem executados passarão a levar, no máximo, meses. Com a implementação do projeto, “o cidadão que tem o direito de receber o título judicial do qual ele é portador vai receber em tempo menor”, afirma Maria do Carmo Cardoso.

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Segundo o diretor do foro da SJDF, a inciativa é uma maneira de utilizar a tecnologia para melhorar a prestação jurisdicional. “Este é um passo a mais para agilizar o andamento e a solução do processo e repassar ao jurisdicionado, o cidadão brasileiro que busca na Justiça o bem da vida”, ressalta o juiz federal Itagiba Catta Preta.

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Para a Advocacia, o projeto representa uma Justiça mais rápida, como afirma o secretário-geral do Conselho Federal da OAB, José Alberto Simonetti: “A OAB está muito satisfeita em participar de um projeto grandioso como este, que certamente terá reflexo em toda a Justiça por conta da expertise que será utilizada com a abreviação de anos para a execução”.

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A juíza federal substituta Diana Wanderlei acredita que o projeto aprimorará a gestão do processo tanto na Vara quanto no Tribunal, otimizando o tempo da Justiça e das partes envolvidas nas ações.

Segundo a magistrada, a iniciativa é uma efetivação do direito. “Muitas vezes é a terceira geração do beneficiário que recebe o Precatório ou a RPV; a pessoa mesma não recebe em vida. Isso é muito angustiante para nós, juízes. Eu creio que, nesse sentido, este projeto seja uma resposta da Justiça ao jurisdicionado”, ressalta Diana.

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Além da celeridade, do atendimento ao princípio da razoável duração do processo e da efetividade na garantia do direito do cidadão, o Execução Célere causará também efeitos positivos no que diz respeito à economia, como explica Maria do Carmo Cardoso: “o beneficiário receberá o título judicial e, com esse fator, haverá um giro de dinheiro na comunidade em que ele reside, alimentando e movimentando a economia local”.

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De modo geral, o projeto pioneiro do TRF1 em parceria com a OAB trará vantagens tanto à Justiça, reduzindo o acúmulo de demandas nas varas de execução e acelerando o cumprimento da sentença, quanto aos jurisdicionados, que terão acesso ao direito que lhes foi garantido e de forma mais rápida e efetiva.

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Após ajustes e avanços da fase de teste, a ideia que é o sistema fique disponível na plataforma do Processo Judicial Eletrônico (PJe) e seja utilizado em todo o Judiciário em execuções gerais, e não apenas de Precatórios e RPVs.

Assessoria de Comunicação Social
Tribunal Regional Federal da 1ª Região

Praça dos Tribunais Superiores SAU/SUL 5 - Asa Sul, DF, 70070-900

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