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Pagamento ágil

TRF1 desenvolve sistema de expedição ágil para encurtar prazo de pagamentos de precatórios e requisições de pequeno valor

Ana Paula Souza  | Ed. 128 fevereiro 2022

A fase de expedição de precatórios e requisições de pequeno valor (RPVs) está mais célere na 1ª Região da Justiça Federal. Caracterizada pelo cumprimento da decisão judicial, a execução processual é fase em que são pagos os valores ganhos em uma ação. Contudo, dependendo das características do processo, a execução pode demorar anos e até décadas.  

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Em processos coletivos, em que uma categoria busca alguma reparação financeira, a espera pelo pagamento pode durar mais de 10 anos. Essa era a perspectiva, por exemplo, de uma ação coletiva que tramita na 5ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal (SJDF) com 12 mil exequentes. 

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Segundo informações da 5ª Vara, levando-se em conta a sistemática atual de expedição de precatórios e RPVs, se essa unidade fosse fechada só para esse trabalho – o que não é possível –, a Vara conseguiria expedir no máximo 500 pagamentos por mês. 

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Dados de 2020 da SJDF indicam que, nesse ano, 80% dos processos no 1º grau estavam em fase de cumprimento de sentença, mas como a expedição dos ofícios requisitórios de pagamento era realizada unicamente pelos serventuários da Justiça alguns pagamentos levavam décadas, principalmente porque existem demandas com até 40 mil beneficiários em um único processo. 

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Felizmente, a união de eficiência com criatividade e tecnologia auxilia na resolução desse gargalo enfrentado pela Justiça brasileira: uma parceria firmada entre o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) e o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) possibilitou a criação do Sistema de Requisição de Pagamento Ágil (Sirea). 

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Sirea  

O Sistema de Requisição de Pagamento Ágil, coordenado pela Corregedoria Regional da Justiça Federal da 1ª Região (Coger), tornou mais rápida a expedição de pagamentos por meio dos precatórios e requisições de pequeno valor (RPVs) no TRF1.  

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Corregedora regional da 1ª Região à época da celebração da parceria entre TRF1 e OAB, a desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso enfatizou a importância da ferramenta: “Não temos outra opção que não seja buscar uma alternativa correta, segura e célere. O projeto do TRF1 é uma ideia pioneira que poderá ser repassada para outros órgãos do Judiciário”.  

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A partir do Sirea, a execução de processos com milhares de beneficiários será sensivelmente abreviada. A ideia é que as partes envolvidas nos autos possam alimentar, com informações necessárias, a plataforma de maneira eletrônica.  

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Para o juiz federal em auxílio à Coger Náiber Pontes de Almeida, o Sirea é um facilitador do trabalho da Justiça Federal. “Anteriormente, todo o trabalho de minutar as requisições de pagamento era feito pelas varas federais. Agora, passou a ser feito pelos próprios advogados. Após passar pela conferência da Advocacia-Geral da União (AGU), a Justiça somente confere os dados cadastrados e expede a RPV ou o Precatório”, explicou o magistrado.  

 

Projeto-piloto 

Após o desenvolvimento do Sistema, chegou a hora de testá-lo na prática. A unidade escolhida para receber o projeto-piloto foi a Seção Judiciária do Distrito Federal (SJDF), na 5ª Vara, justamente onde tramita o processo coletivo com 12 mil exequentes. 

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“Nesse processo coletivo da 5ª Vara do DF, foram liberados mais de 4 mil RPVs apenas no mês de dezembro de 2021. Caso esse trabalho de cadastramento das minutas fosse realizado pelas varas federais, o pagamento poderia demorar meses ou até anos”, comemorou Náiber Pontes. 

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Com dois meses de trabalho, o uso do software já apresentou resultados: em janeiro de 2022, o Conselho da Justiça Federal (CJF) liberou os limites para o pagamento de Requisições de Pequeno Valor (RPVs) autuadas em dezembro de 2021, e a JF1 foi a que apresentou os números mais expressivos. 

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Somente em matérias previdenciárias/assistenciais, mais de 24 mil beneficiários dos 13 estados da 1ª Região e do Distrito Federal receberam R$422.429.144,94 em RPVs. No geral, foram liberados R$518.771.946,84. 

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Para termos uma dimensão dos resultados obtidos, a 1ª Região sozinha liberou quase metade do valor total pago aos cinco TRFs do País. Desconsideradas as RPVs previdenciárias/assistenciais, que formam o maior volume, o resultado da 1ª Região, com a liberação de R$96.342.801,90, foi equivalente aos valores totais liberados pelo TRF 2ª Região, que liberou R$99.752.634,92. 

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“Esse resultado foi auxiliado pela entrada em funcionamento do sistema Sirea na Seção Judiciária do Distrito Federal”, avaliou o juiz federal Náiber Pontes. 

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Lançamento 

Após pouco mais de dois anos entre a assinatura do termo de cooperação e a fase de testes na SJDF, o Sistema de Requisição de Pagamento Ágil do TRF1 foi oficialmente lançado no dia 9 de março e disponibilizado para toda a Primeira Região.  

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Na cerimônia de lançamento, a corregedora regional da Justiça Federal da 1ª Região, desembargadora federal Ângela Catão, enalteceu o esforço da parceria entre instituições que compõem o sistema de justiça para proporcionar um Judiciário que atenda às necessidades do jurisdicionado.  

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“Este projeto não teria se realizado se não fosse a operação conjunta com a OAB. Nós tínhamos o sonho de que pudéssemos falar, tanto para o jurisdicionado quanto para os advogados, que o pagamento iria sair, que não iria mais demorar dez anos, e hoje isso é possível. Esse projeto realmente me encantou porque ele propõe o pagamento mais ágil dos precatórios com todas as garantias necessárias”, celebrou a corregedora.  

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Com o funcionamento do Sirea, a Justiça Federal da 1ª Região dá mais um grande passo em direção ao princípio da razoável duração do processo, desburocratizando trâmites desnecessários, eliminando anos de tramitação de processos de execução e de maneira simplificada para o usuário.  

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Outro destaque do Sistema é a sua segurança, tendo em vista a utilização de certificação digital, ou seja, somente usuários cadastrados podem acessá-lo. Além disso, o Sirea também possui configuração maleável, permite melhorias de segurança, à medida que é verificada essa necessidade, e possibilita a integração com o Processo Judicial Eletrônico (PJe). 

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São tantos benefícios que a ideia é expandir a utilização desse Sistema. De acordo com o juiz federal Náiber Pontes, a previsão é que ainda em 2022 o Sirea seja implantado como um módulo da Plataforma Digital do Poder Judiciário Brasileiro (PDPJ-Br) com base no Termo de Cooperação firmado entre o TRF1, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Conselho da Justiça Federal (CJF). “Isso significa que o Sirea, já disponível em toda 1ª Região da Justiça Federal, passará a estar também disponível para todo o Poder Judiciário brasileiro”, revela o magistrado.   

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